• Jessica Dourado

Será que somos compreensivos com nossos limites?



Nessa vida de freelancer, e na vida de prestação de serviço de modo geral, a gente tende a ser muito flexível e compreensível com os outros. “Não consegue aprovar hoje meu texto? Tudo bem, espero o melhor dia”, “vai conseguir me pagar só semana que vem? Sem problemas, eu espero”.


Claro que não posso generalizar, pelo menos comigo, é isso que acontece. E não apenas em relação a feedbacks e pagamentos. Mas tendo a ser muito compreensiva quando as pessoas com quem trabalho erram.


Mas se eu erro, é o fim! Sou a primeira que aponta o erro e a última a me perdoar. O mundo acaba, e só volto a confiar em mim novamente depois de muito tempo. E agora me pergunto, precisa disso?


A resposta é: não!


No início de 2018, assim que me formei e, de fato, ingressei no mercado de trabalho atuando na área de comunicação, minha mãe disse algo que só fui entender (e aplicar) anos depois. Ela disse “Dourada, você é extremamente competente, capaz e profissional, só te falta ter calma”.


E errada ela não estava.


Desde essa época, seja como funcionária registrada, freelancer ou até mesmo uma voluntária no jornalismo da paróquia, meu nível de cobrança comigo mesma era algo surreal. Tudo precisava ser para ontem e ser perfeito!


Claro que o ambiente de agência (que muitos bem conhecem) corroborou nessa paranóia de agilidade e excelência. Então, ficar exausta e ansiosa virou rotina. Dar conta de tudo sempre tem seu preço.


No entanto, desde o ano passado, com todas reviravoltas na minha vida profissional e pessoal, fui obrigada a recalcular a rota (conto um pouco dessa mudança no texto desse link).


E logo nesse início de 2022 me surpreendi comigo mesma em relação a críticas que recebi de clientes sobre meu trabalho. Inclusive relatei a experiência no meu LinkedIn, como vocês podem ver abaixo.




Como fazer diferente?


Acredito que o cenário ideal é a gente adotar hábitos mais saudáveis em relação ao nosso trabalho antes que algo aconteça. Trabalhar com prevenção em vez de recalcular a rota, como tive que fazer. Mas, infelizmente, muitas vezes precisamos quebrar a cara, ficar doente e com a saúde mental abalada para tomar atitudes diferentes.


As coisas que me ajudaram a trilhar o caminho do equilíbrio foram:


  • Autoconhecimento: no caso, digo mais no sentido de trabalho mesmo. É importante você saber seu ritmo de produção e ser realista na hora de estabelecer prazos. Não adianta prometer coisas que você SABE que vai ter que virar noites fazendo. Sempre que possível, seja honesto quanto à isso;

  • Não se compare: a gente não trabalha da mesma forma que nossos colegas e nem estamos sob as mesmas circunstâncias. Por isso é extremamente nocivo se comparar! Ao conversar com seus colegas, procure absorver dicas úteis que fazem sentido para sua realidade;

  • Estabeleça limites para você: tenha consciência que seu trabalho é seu trabalho e isso é apenas uma parte da sua vida. Um feedback negativo, um job que não foi para frente ou um cliente a menos, não significa que toda sua trajetória profissional está arruinada;

  • Aprenda com os erros: seja compreensivo consigo mesmo, mas não esqueça de observar o que você pode, de fato, estar fazendo errado. Procure aprender com seus erros e, principalmente, como evitá-los futuramente.


Vale destacar aqui que esses pontos me ajudam a não perder as estribeiras na rotina de produção de conteúdo, mas cada um tem sua realidade e seus desafios, então veja se faz sentido para você seguir tais conselhos. E, se tiver algum conselho para mim, sou toda ouvidos!


Estou constantemente na busca por equilíbrio e produtividade, mas nem sempre consigo manter a calma. O aprendizado é contínuo e sempre há situações para desafiar nossos limites.


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