• Jessica Dourado

Como minha mãe me incentivou na escrita

Não sei exatamente quando tomei gosto pela escrita, mas sei quando comecei a prestar atenção nela.


Depois de uma certa idade, chamar minha atenção, me deixar de castigo, me colocar para pensar já não estava sendo efetivo para minha mãe. Então toda vez que ela precisava me corrigir ela me passava um tema de redação.


Quando eu menti para não ir à escola, o tema que eu tinha que escrever era: O que me levou a ser uma mentirosa.


Quando fiquei revoltada com a minha mãe, o tema era: Motivos para odiar minha mãe (esse inclusive foi uma série de 10 dias, no qual só consegui escrever os 3 primeiros).


Ela passava o tema e indicava o número de páginas. Depois que eu entregava ela lia, avaliava se escrevi coisas válidas ou só enrolei. Em seguida ela conversava comigo sobre o que escrevi, sobre os sentimentos e indignações que coloquei no papel.


Não me recordo exatamente quando ela parou de me pedir as redações, só sei que eu nunca parei de escrever.


Escrita na adolescência


Passado esse período dos castigos de redação, na adolescência, eu já era apaixonada por escrever! Nunca me julguei “A escritora”, mas nunca neguei que escrever era uma das minhas paixões.


Desde que me entendo por gente minha mãe escreve teatrinhos para a igreja. E na minha adolescência foi isso que ela me colocou para fazer. Meu novo desafio!


As instruções dela foram simples. Ler o evangelho de domingo, criar uma histórinha de no máximo cinco minutos que explicasse o evangelho e tudo no formato de teatro. Fácil, não é? Claro que não.


O começo foi muito difícil, mas o resultado foi muito bom. Apanhei bastante em todas as etapas. Em entender o evangelho, em escrever uma história de cinco minutos, em fazer no formato teatro e o mais difícil: fazer em uma linguagem tão simples que as crianças pudessem entender.


Não que eu seja A escritora erudita, mas é bastante difícil escrever algo entendível para crianças. Ainda mais sobre a bíblia, muita coisa para explicar e muita coisa complexa. Mas se minha mãe conseguia, eu também era capaz. E sou. Hoje sinto falta dessas tarefinhas e de escrever os teatros sob a supervisão dela.


A gente cresce e a escrita também


Com o passar do tempo, a faculdade, o mercado de trabalho e a vida adulta, a escrita foi ficando mais formal. Artigos científicos, textos jornalísticos, e-mails corporativos. A escrita criativa já não fazia mais parte da minha vida em grande escala. Bateu uma saudade dos desafios da minha mãe.


Esses dias achei a bíblia dela com tudo que eu já escrevi dentro. Desde essas redações de castigo até as cartinhas de datas comemorativas e as cartas que escrevi quando ela estava internada em uma clínica psiquiátrica.


Por isso, sempre que posso eu escrevo. Natal, dia das mães, aniversários, datas felizes e tristes. Se eu posso, eu escrevo. Inclusive, essa vontade de escrever coisas diferentes do que a rotina nos obriga foi o que me fez dar o pontapé inicial nesse blog.


Hoje escrever é meu ganha pão e com isso posso prover para a minha fiel leitora. E você, quando começou?


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